Vivendo uma nova era de desafios, medicina diagnóstica tem papel fundamental na integração da saúde do país

Confira a entrevista exclusiva com Leandro Figueira, diretor de relacionamento da Alliar Médicos à Frente

A busca por uma medicina integrada, transparente, e que promova mais acesso e atendimento personalizado aos cidadãos é um dos principais desafios do Brasil na visão de Leandro Figueira, diretor de relacionamento da Alliar Médicos à Frente. O executivo, que é vice-presidente do Conselho de Administração da Abramed, destaca a importância da união do setor para a construção de um sistema de saúde mais racional e sustentável. Confira a entrevista completa.

Abramed em foco – Quais são os principais desafios que a medicina diagnóstica brasileira enfrenta para se desenvolver?

Leandro Figueira – A medicina diagnóstica no Brasil passou por muitos desafios nos últimos anos. Por conta disso, precisou se reinventar e um dos maiores obstáculos foi a conquista da confiança de todos os players que cercam esse mercado, sejam eles médicos solicitantes de exames, parceiros, operadoras de planos de saúde, seguradoras e, também, pacientes. Vivenciamos enormes dificuldades, incluindo questionamentos sobre a credibilidade dos nossos serviços, visto que há 30 anos existia pouca tecnologia embarcada nesse setor que, hoje, é altamente dependente de tecnologias e qualificações.

Partimos para outros patamares de desafios que englobam a racionalização de recursos pela busca de maior precisão diagnóstica e de mais eficiência em um sistema que se mostra falido, além da tentativa constante de prover acesso aos milhões de brasileiros que ainda não conseguem um atendimento de qualidade e que, certamente, teriam muitos de seus desfechos alterados devido à qualificação que possuímos neste setor.

Abramed em foco – Tecnologia e capital humano são indissociáveis para o crescimento?

Leandro Figueira – Sim, ao longo dos últimos anos a tecnologia e o capital humano se mostraram indissociáveis inclusive para a precisão e qualificação diagnóstica. Houve um investimento enorme na busca por novas tecnologias desenvolvidas dentro ou fora do Brasil, mas também foi imprescindível o investimento nos profissionais. Formamos pessoas que se destacam ao longo de sua jornada, trazendo melhorias efetivas ao campo do diagnóstico, capazes de alterar a qualidade de vida das pessoas.

Abramed em foco – Quanto o setor depende do investimento em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação?

Leandro Figueira – Muito. As grandes empresas do segmento têm buscado inovações que ampliem tanto o acesso quanto a personalização da medicina hoje praticada. Algumas tecnologias foram direcionadas exclusivamente às necessidades brasileiras. É o caso, por exemplo, da operação remota de aparelhos de imagem que permite que muitas dessas inovações alcancem os quatro cantos de um país de dimensões continentais como o nosso.

O segmento ainda carece, claro, de muito investimento, visto que o capital dedicado à pesquisa e desenvolvimento ainda é insuficiente para suprir todas as necessidades da área.

Abramed em foco – Com tantos dados sendo gerados, é possível pensar em uma medicina integrada?

Leandro Figueira – Unir forças para que todos os players da saúde façam parte de um repositório único, com um banco de informações unificado, é um desafio mundial. O Brasil tem condições de atuar desta forma, mas existe a necessidade das empresas se empenharem na construção dessa medicina integrada. Para isso, esses repositórios precisam conter não só as doenças, mas também as condições de saúde. Caso contrário, estará contaminado com informações ruins, enquanto os dados de saúde serão desprezados e perdidos. Acredito que um banco com informações deva existir, desde que seja alimentado de forma completa.

Abramed em foco – Colocar o paciente no centro do cuidado ainda é desafio?

Leandro Figueira – É um grande desafio não apenas no âmbito da medicina diagnóstica, mas pela necessidade de integração dos sistemas. Atualmente, os dados estão disponíveis de forma estruturada e o setor de diagnóstico é um dos que mais pode agregar valor à saúde como um todo. Isso porque não há, no médio e longo prazo, expectativa de integração para que os exames sejam colocados em um único repositório, e que o paciente tenha acesso aos resultados, independentemente de onde tenha sido realizado o procedimento. Isso é o que fará com que o centro do cuidado possa definitivamente ser o paciente, mas ao mesmo tempo traz uma dificuldade que envolve toda a cadeia de saúde pública e privada.

Abramed em foco – Qual a importância da Abramed para que o setor possa transpor suas principais barreiras?

Leandro Figueira – A Abramed é vital para a criação deste repositório e contribuiu de forma ímpar com a estruturação do serviço de medicina diagnóstica no país ao alinhar conceitos, expectativas e investir na cultura de uma medicina de qualidade, integrada e que efetivamente mude a história dos brasileiros. A Associação trouxe, nos últimos anos, uma ajuda significativa para que a cadeia de saúde suplementar compreendesse a importância do diagnóstico. Já fomos questionados no passado, mas hoje somos aplaudidos por apresentar um conhecimento que não estava disponível, e mostrar a necessidade de os grandes atores da medicina estarem unidos na busca por uma saúde melhor. Ao lado de outras associações, a Abramed foi vanguardista criando conceitos que norteiam a transparência e a segurança.

Abramed em foco – E quanto a heterogeneidade da medicina diagnóstica no país que tem, reunidas em um só setor, empresas de pequeno, médio e grande porte para atender populações com características distintas? Qual o papel da Abramed nessa reunião?

Leandro Figueira – Um dos desafios da Abramed está justamente em lidar com um setor heterogêneo e que reúne empresas de diferentes portes, todas com capacidade para crescer e se aprimorar. A Abramed é uma entidade que atua com transparência e, desde sua fundação, discute os critérios de qualificação e questiona o que o setor de saúde espera da medicina diagnóstica. Como resultado, obtém um segmento organizado e capaz de fazer a diferença.

Com certeza a solução para a sonhada integração do sistema de saúde do Brasil passa pela Abramed e, reconhecendo a importância da Associação, nos tornamos ainda mais responsáveis em fazer com que esses projetos avancem trazendo melhores resultados para a medicina.

Abramed em foco – E o que a Alliar Médicos à Frente, como associada, espera da Abramed para os próximos anos?

Leandro Figueira – Esperamos que a Abramed siga como uma Associação íntegra, transparente, vanguardista e que traga para todos os seus associados os benefícios do conhecimento, da integração, dos desafios setoriais e da manutenção da cultura de qualidade. A Abramed mudou a forma como a medicina diagnóstica é vista, e é justamente esse respeito da sociedade, somado à transparência e qualificação, que a Alliar espera que a Abramed nutra para fazer do Brasil um país melhor.