Nota de Esclarecimento: Matéria “Dos gastos anuais, só 6,6% são com remédios”

Em relação à matéria publicada dia 8 de maio de 2019, no jornal Valor Econômico, sob o título “Dos gastos anuais, só 6,6% são com remédios”, a Associação Brasileira de Medicina Diagnóstica (Abramed) esclarece: A informação trazida pelo estudo mencionado na reportagem relatando que o “desperdício com fraudes e exames considerados desnecessários” atingiria R$ 36,6 bilhões por ano (19,2% do dispêndio anual dos planos de saúde) confunde e prejudica a serenidade das discussões sobre a sustentabilidade do sistema ao misturar de forma totalmente inadequada atos ilícitos com o ato de realização de exames.

Há estudos estruturados e com embasamento estatístico consistente sobre o setor de medicina diagnóstica que estão disponíveis, demonstrando fatos e dados confiáveis à sociedade. Quanto à questão técnico-médico, a SBPC (Sociedade Brasileira de Patologia Clínica) publicou um estudo de 2017 mostrando que o número de exames não retirados fisicamente nas unidades de atendimento é de 5,4%. Além disso, o Painel Abramed, divulgado no segundo semestre de 2018 com um DNA do diagnóstico no Brasil, concluiu que apenas 3,5% dos exames realizados dentro da saúde suplementar não foram acessados via Internet ou retirados diretamente nos laboratórios.

Parte significativa desses exames não é retirada porque interações entre o médico prescritor e o médico do serviço diagnóstico ocorrem logo após a realização do procedimento, dispensando a retirada física ou virtual do resultado, sendo essa prática indispensável em casos de emergência e resultados críticos, que salvaguardam a vida do paciente.

O segmento de medicina diagnóstica representa um elo de alta relevância na cadeia de saúde por fornecer à atividade médica apoio no processo diagnóstico para a adequada conduta clínica em cada caso. A etapa diagnóstica,  além de solucionar as questões críticas de saúde dos pacientes, traz informações por meio de exames que permitem a prevenção em benefício de uma vida saudável.

Adicionalmente, contribuem para evitar intercorrências que podem colocar o paciente em risco e gerar, consequentemente, custos ao sistema de forma precoce ou recorrente; O investimento do setor de medicina diagnóstica em pesquisa, desenvolvimento e inovação é responsável pela geração de valor no setor de saúde e, também, pela redução sistemática de gastos com tratamentos inadequados.

Hoje, graças à medicina personalizada e de precisão, exames diagnósticos são capazes de apontar de forma crescente quais os melhores tratamentos para cada tipo específico de patologia e para cada perfil de paciente. Para casos de câncer de mama, por exemplo, já há exame capaz de indicar a necessidade ou não de quimioterapia. Estudo científico realizado aponta que cerca de 70% das pacientes avaliadas deixaram de ser submetidas a esse tipo de tratamento, com benefícios relevantes para a saúde dessas pessoas, bem como evitando a aplicação de terapêutica de elevado custo para o sistema.

Desta forma, a Abramed enfatiza que a atividade de medicina diagnóstica tem papel fundamental no apoio à prática médica. Os resultados de exames contribuem com a adequada conduta clínica a ser realizada com benefícios
diretos para a saúde dos pacientes. Portanto, é nesta etapa da cadeia de saúde que se concentram as maiores oportunidades para que tenhamos um sistema de saúde, de fato, cada vez mais sustentável.