Mudar para vencer – Medicina diagnóstica está em transformação

Confira a entrevista exclusiva da Abramed em Foco com Wilson Pedreira Júnior, presidente do Cura Imagem e Diagnóstico

Integrado ao sistema de saúde e parte indispensável dele, o setor de medicina diagnóstica tem diversos desafios a serem vencidos. Para trilhar um caminho de sucesso, é preciso investir em mudanças estruturais. Modificar o atual modelo de remuneração, investir em qualidade para combater o desperdício e dar importância às acreditações como forma de consolidação dessa qualidade são algumas das necessidades pontuais para a busca do desenvolvimento.

Wilson Pedreira Júnior, presidente do Cura Imagem e Diagnóstica, fala sobre esses desafios e sobre a importância de o setor estar unido. Confira a entrevista completa do executivo para a Abramed em Foco.

Abramed em foco: O Cura Imagem e Diagnóstico investe em certificações para comprovação da qualidade de seus serviços. Qual a importância da acreditação dentro do segmento de medicina diagnóstica?

Wilson Pedreira Jr.: É extremamente importante, pois a acreditação ao mesmo tempo que é uma ferramenta de excelência, é uma comprovação independente dessa excelência. Apesar de o mercado de saúde brasileiro ainda não estar em um nível de maturidade que premia e valoriza suficientemente a qualidade, acreditamos que essa é a saída para fazermos uma medicina melhor e mais eficiente. Então o que procuramos foi nos cercarmos de todas as linhas de acreditação, tanto as gerenciais e coletivas – como a ONA – quanto as específicas das nossas linhas técnicas – como a Palc. Realmente passamos todos os nossos processos pelo crivo dessas acreditações.

Abramed em foco: Eficiência e redução de custos são os principais desafios da medicina diagnóstica brasileira na atualidade?

Wilson Pedreira Jr.: Esses são os principais desafios do mercado de saúde, que está baseado em uma premissa – e isso não é uma característica exclusiva do Brasil – que remunera a utilização. Eventualmente, isso pode dar margem ao desperdício e, na verdade, não existe desperdício maior do que uma medicina feita sem qualidade.

Abramed em foco: Realmente há forte discussão no mercado sobre o papel da medicina diagnóstica nos desperdícios do sistema. Considerando que o diagnóstico é um dos principais mecanismos de prevenção e também de identificação precoce de patologias – gerando melhores chances de tratamento –, qual é a sua opinião sobre esse tema?

Wilson Pedreira Jr.: Costumo dizer que o desperdício muitas vezes está em exames com baixa qualidade que precisam ser repetidos; feitos com técnicas inadequadas; que não são resolutivos e acarretam a necessidade de novos exames ou, ainda, que levam à demora no diagnóstico e, consequentemente, a tratamentos muito mais complexos e com mais complicações. Tudo isso representa um foco importante no desperdício e, para combatê-lo, precisamos caminhar no sentido da remuneração pela qualidade, resolutividade e desfecho mesmo dentro do setor de medicina diagnóstica.

Abramed em foco: Além da mudança no modelo de remuneração, deveríamos também investir na educação dos profissionais de medicina responsáveis pelas solicitações de exames?

Wilson Pedreira Jr.: Há a necessidade de homogeneizar a educação médica para que eles também tenham formação em medicina diagnóstica. Mas minha impressão é que, com a evolução tecnológica e a ampliação de conhecimentos na medicina, temos uma possibilidade muito interessante de especializar os elos da cadeia de valor da saúde. Os centros de medicina diagnóstica poderiam se responsabilizar pela condução diagnóstica, e não apenas pela realização de exames. Assim, esses centros teriam a prerrogativa de oferecer soluções diagnósticas integradas, realizadas com algoritmos e especialistas adequados. Com a quantidade de dados e informações que temos hoje, o melhor médico para avaliar, por exemplo, uma tomografia de tórax é, sem dúvidas, um especialista nessa metodologia. Esse profissional, então, faria a ponte com o médico que conduz o caso. Essa é uma linha que precisa andar lado a lado com a melhoria do ensino nas escolas de medicina.

Abramed em foco: Acredita que o fortalecimento do setor de diagnósticos está diretamente atrelado à inovação tecnológica?

Wilson Pedreira Jr.: Sem dúvida nenhuma. E essa é uma das características do Grupo Cura, que, recentemente, adquiriu outro grupo que tem um viés direcionado à inovação tecnológica. O que imagino é que migraremos de um mercado exclusivamente de excelência técnica e médica para um mercado de excelência tecnológica. Já somos dependentes de tecnologia e essa dependência vai aumentar exponencialmente. Teremos que estar muito bem desenvolvidos junto a essas tecnologias, que, além de estarem embarcadas nos equipamentos, existirão para analisar dados. É o momento em que entramos na inteligência artificial e nas ferramentas de apoio à decisão médica.

Abramed em foco: Como o Cura Imagem e Diagnóstico atua para melhorar a experiência do paciente e para tornar o atendimento ainda mais humanizado?

Wilson Pedreira Jr.: Grande parte das acreditações avalia a experiência do paciente. Então, somente pelos modelos de acreditação já temos referendada essa atenção. Além disso, temos uma série de processos que são continuamente aperfeiçoados visando melhorar a qualidade de todos os pontos de contato com o paciente, desde o call center até a entrega de resultados – que pode ser presencial ou digital.

Outro ponto tão importante quanto esse é o DNA da empresa, e essa é uma característica que me surpreendeu de forma bem positiva quando assumi a presidência do Cura. O cuidado com a qualidade da experiência do paciente, do atendimento e da prestação de serviços está dentro da cultura da marca. E, como reflexo, temos um indicador interessante que é o baixo turnover dos colaboradores. A equipe está engajada com a organização, refletindo a satisfação em prover uma boa experiência ao nosso cliente.

Abramed em foco: Por que é tão importante que o setor esteja unido?

Wilson Pedreira Jr.: Essa união das empresas da medicina diagnóstica é fundamental, principalmente podendo contar com uma associação que garanta representatividade desse elo da cadeia da saúde perante todo o mercado, incluindo os setores público, privado, legislador e fiscalizador. Somos um segmento que muitas vezes está isolado dentro da cadeia de saúde. Recebemos as requisições dos médicos e, posteriormente, não temos controle sobre o que é feito com os resultados dos exames que entregamos. Muitas vezes o processo passa por nós, mas nós não o conduzimos. Então essa é uma fragilidade que pode ser compensada com uma associação que nos represente, fazendo com que possamos evoluir como prestadores de serviço. Acho, então, que a Abramed consegue atender a todos esses pontos de maneira exemplar ao desenvolver comitês e câmaras que privilegiam as melhores técnicas e a troca de boas experiências.

Abramed em foco: Ao seu ver, qual a importância de a Abramed ser uma associação que reúne todos os players do setor, desde grandes hospitais até pequenos laboratórios?

Wilson Pedreira Jr.: Já tive outras experiências empresariais e sempre fui entusiasta da Abramed, desde o início. Acho que contar com representações de todos os tipos de grupos da medicina diagnóstica vindos de todas as regiões do Brasil é uma das características mais importantes da associação. E essa característica precisa ser privilegiada e mantida.