Claudia Cohn questiona se o cidadão está bem informado de seus direitos durante evento da CBDL

Apresentando perspectivas para a saúde em 2019, encontro foi promovido dia 6 de dezembro na sede do Grupo Fleury em São Paulo

Com o final de 2018 próximo, as principais entidades de saúde no Brasil estão traçando análises e perspectivas sobre o que o setor deve esperar do próximo ano sob o comando de um novo governo. Foi com esse intuito que a Câmara Brasileira de Diagnóstico Laboratorial (CBDL) promoveu, no dia 6 de dezembro na sede do Grupo Fleury, em São Paulo, o evento “Brasil 2019 – Os Ajustes do novo Governo e seus Impactos na Saúde”. Na ocasião, Claudia Cohn, presidente do Conselho da Abramed, participou do debate final levantando questões sobre a importância de o cidadão estar bem informado sobre seus direitos e deveres dentro da rede de saúde suplementar.

Com Gonzalo Vecina e Renato Porto, respectivamente ex-presidente e atual diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), compondo a mesa de debates ao lado de Simone Freire e Rodrigo Aguiar, diretores da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS), Claudia aproveitou a oportunidade para falar sobre uma questão civilizatória que impacta, de forma direta, os processos da saúde no país.

“O beneficiário, que é o centro da atenção na saúde, está ciente de sua capacidade de reclamar? Ou o cidadão muitas vezes está pouco informado sobre o que ele pode exigir dos hospitais e dos centros de diagnóstico?”, perguntou relembrando que não se trata apenas do cenário de São Paulo, mas sim do Brasil e das cerca de 47 milhões de pessoas que contratam a saúde suplementar. “Como esse cidadão pode ter um melhor acesso à informação para que não seja prejudicado durante sua jornada de atendimento?”, completou.

Para Simone, que representa a ANS, esse é um dos pontos mais importantes da sua gestão até 2020, quando ela deve se desligar da agência. “O paciente mantém, na verdade, um relacionamento com a operadora de saúde e outra relação, absolutamente diferente, com os prestadores de serviços como, por exemplo, os hospitais. O vínculo entre beneficiário e plano de saúde é um, entre beneficiário e prestador é outro, e entre plano e prestador um terceiro vínculo. E no meio de tudo isso há a ANS tentando equilibrar o jogo”, declarou.

Para a diretora, garantir a transparência das informações é uma meta para o próximo período. “Esse é o meu projeto pessoal de trabalho para 2019: reduzir a assimetria de informação para que o beneficiário, que hoje não tem a menor ideia do que está acontecendo, possa entender qual o tipo de plano que contratou, por quais motivos há reajuste, com quem ele deve falar e o que pode fazer”, disse.

Trazendo um posicionamento da Anvisa sobre essa relação com o cidadão, Porto vê uma maior clareza entre a população e a agência. “Acreditamos que o cidadão sabe bem quando levantar a mão e se posicionar. Como ocorreu recentemente, por exemplo, com a norma de regulação de alergênicos quando um grupo de mães conseguiu intervir para modificar uma regulação impactando todas as embalagens de alimentos e bebidas no Brasil”, mencionou relembrando o caso da Resolução da Diretoria Colegiada RDC nº 26/2015 que declara que os rótulos devem destacar a presença ou o risco da presença de substâncias que podem gerar alergia alimentar.

Perspectivas para 2019 – O futuro da economia brasileira e os impactos no sistema de saúde também foram tema do encontro promovido pela CBDL. Com apresentação de Rubens Sardenberg, economista chefe da Federação Brasileira de Bancos (FEBRABAN), os participantes assistiram a uma breve explicação histórica sobre a crise que assolou o país nos últimos anos. “Estamos em uma trajetória de retomada da economia”, comentou após apresentar estatísticas e comparativos sobre inflação, juros e desemprego da última década.

Para o especialista é possível trabalhar com otimismo. “Acredito que o governo tem uma série de sinalizações na direção correta e deve atacar as questões fiscal e previdenciária. Por isso estou otimista com relação ao que vai acontecer pois temos uma boa chance de o novo governo endereçar a reforma da previdência”, declarou.

Com apoio da Abramed e de outras entidades do setor o evento reuniu grandes lideranças da saúde para elencar quais serão os principais desafios do segmento em 2019. Carlos Gouvea, presidente executivo da CBDL, foi o mestre de cerimônia e a abertura contou com apresentações de Carlos Marinelli, presidente do Grupo Fleury, e Fábio Arcuri, presidente da CBDL.