Abramed apresenta cenário e debate tendências da medicina diagnóstica em seminário da Shift

Executivos do setor participam de evento de dois dias em Campinas

Debatendo desde o cenário da saúde e da medicina diagnóstica no Brasil, com números, pontos de atenção e oportunidades, até um panorama dos principais temas tratados pelo setor atualmente – como verticalização da saúde suplementar, mudança no modelo de remuneração e corporativismo –, o painel comandado pela           Abramed, chamado “O DNA do Diagnóstico”, levou informação profunda e variada ao público do 15º Seminário Shift, realizado nos dias 11 e 12 de abril em Campinas (SP).

Membro dos conselhos de Administração e de Ética da Abramed, Leandro Figueira apresentou seu painel representando a empresa especializada em tecnologia da informação para medicina diagnóstica e preventiva no primeiro dia do evento realizado no Royal Palm Plaza, um dos principais resorts para eventos do interior de São Paulo.

De acordo com a apresentação, que consolidou números de 2017 e comparou os dois anos anteriores, estima-se que 2 bilhões de exames tenham sido realizados no Brasil nesse ano, 816,9 milhões deles por meio da saúde complementar e 410,4 milhões por meio de empresas associadas à Abramed, o que corresponde a 21% do total do país. Entre os exames realizados pelas associadas, 95% correspondem a análises clínicas e outros exames, restando apenas 5% para toda a gama que inclui ressonâncias magnéticas, densitometrias ósseas, mamografias, tomografias, ecocardiogramas, radiografias, endoscopias e colonoscopias.

Em relação às fontes pagadoras, 82% dos exames foram pagos por planos de saúde, 10% por particulares, 5% por outros e 3% pelo poder público. Dos 29 milhões de pacientes atendidos em 2017, 67% foram mulheres. “Isso tem relação direta com a sobrevida. As mulheres se cuidam mais, fazem os tratamentos, por isso têm sobrevida maior que os homens”, explicou Figueira.

Desafios para o futuro

Médico anestesiologista, Figueira integrou na mesma tarde o talk show “O futuro dos negócios na medicina diagnóstica”. Ao lado dele também representavam a Abramed Lídia Abdalla, membro do Conselho Administrativo e CEO do Laboratório Sabin; e Wilson Shcolnik, diretor da Câmara Técnica e presidente da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica (SBPC). Além disso, participaram do painel o presidente da Sociedade Brasileira de Análises Clínicas (SBAC), Luiz Fernando Barcelos; o CEO do Tommasi Laboratório, Henrique Tommasi; e a diretora da Afip Medicina Diagnóstica, Tânia Noquelli.

Lídia Abdalla acredita que o principal desafio do setor nos próximos anos será encontrar equilíbrio entre as facilidades conquistadas com a inovação tecnológica e o atendimento humanizado. “Tudo isso com responsabilidade financeira de um setor que está sendo bombardeado o tempo todo”, lembrou a CEO do Sabin.

Para isso, afirma que o Sabin busca soluções que melhorem a experiência do paciente tendo em vista os resultados de pesquisas de satisfação e investe tanto em novas ferramentas tecnológicas de atendimento e operação quanto em gestão de pessoas. “Desenvolvimento de equipe, treinamento e capacitação. Damos nível de autonomia, de empoderamento para que o colaborador se sinta dono da área. O engajamento vem quando as pessoas acreditam no que estão fazendo. O principal é acertar no recrutamento; a partir daí, é alinhar com o propósito da empresa”, pontuou.

“O sistema de saúde suplementar se ressentiu com a perda de beneficiários que acompanhou a recessão no Brasil. As operadoras mudaram o comportamento, aumentando a produção sobre os prestadores de serviços e outros segmentos, e os laboratórios não ficaram fora disso”, explicou Wilson Shcolnik, diretor da Câmara Técnica da Abramed e presidente da SBPC, que citou ainda a ocorrência de uma campanha de difamação que desvalorizou o trabalho feito dentro dos laboratórios nos últimos tempos.

Entretanto, Shcolnik enxerga esse momento de mudanças como oportunidade de crescimento. “O desafio é encarar a mudança, que vem acompanhada de inteligência artificial e vai exigir coisas diferentes demais. Mas temos conhecimento, nos resta aplicar com cuidado”, afirmou.

Já de acordo com Figueira, há um longo caminho a ser percorrido – principalmente longe dos grandes centros –, e o desafio maior é unir as bases de formação. “Precisamos fazer a acessibilidade de forma correta e coerente, voltar a conversar com as pessoas. As empresas tomaram proporções vultuosas e acabaram se distanciando; medicina interativa é fazer com o que o médico volte a conversar com o paciente”, completou.